Esta conversa foi gravada para o WIR Innovation Podcast e está editada para leitura. As respostas são de Nicholas Weiser, CEO e co-fundador da WIR Innovation.
Quem é Nicholas Weiser
Comecei a trabalhar aos 15 anos, numa agência dos Correios. Fui subindo dentro da própria agência e passei um bom tempo ali, inclusive no call center.
Em 1999 entrei no mercado de seguros, a convite de um amigo, na Aon. Entrei como estagiário.
De lá para cá são 27 anos no mesmo mercado, mudando de lado o tempo todo. Corretora, seguradora, consultoria e agora tecnologia.
Aon, resseguro e aviação
Na Aon passei por várias áreas corporativas e trabalhei muito com resseguro. Fiquei cinco anos. Cheguei a gerente de Aviation no Brasil e depois a account executive de contas grandes e globais.
Gallagher, a TRR Securitas e a filial de São Paulo
Em 2004 fui para a TRR Securitas, corretora de seguros e benefícios ligada ao grupo Gallagher, que atendia a Braskem. Assumi o escritório de São Paulo, à frente de relacionamento com cliente e novos negócios, e a gente cresceu mais de 300% de faturamento em quase três anos.
No começo de 2006 passei alguns meses em Londres, num treinamento internacional de resseguro.
Düsseldorf, Chicago e o roadshow
Em 2007 voltei para a Aon, agora na diretoria comercial internacional. Primeiro como gerente do German Desk, morando em Düsseldorf. Depois como head do European & American Desk, em Chicago.
O trabalho ali era roadshow. Ficávamos uma ou duas semanas fora visitando os risk managers globais para convencê-los de que dava para fazer um trabalho melhor no Brasil do que as corretoras que já os atendiam. Depois sentávamos com os CEOs, CFOs e as áreas de benefícios aqui. Essa área deu certo.
JLT e a primeira vez como sócio
No fim de 2009 entrei na JLT como sócio e diretor comercial Brasil. Em 2010 virei sócio da JLT UK Holdings e vice-presidente executivo e CCO de Non-Life e Benefícios da corretora.
Transformei toda a área comercial e triplicamos o faturamento. Criei specialties alinhadas com Londres, então eu ia para lá a cada dois ou três meses e tinha contato direto com o CEO da América Latina e com o CEO global.
Foi a primeira vez que eu saí do cargo executivo e virei executivo sócio. Me trouxe muito conhecimento sobre como empreender.
VIS: fundar do zero e vender em quatro anos
Saí da JLT no fim de 2011 e fiquei alguns meses parado, de propósito, para repensar o que eu queria fazer. Eu queria inovar mais. Foi aí que veio a ideia de empreender pela primeira vez.
Em janeiro de 2012 abri a VIS, de Vision Insuring Success, com mais três sócios. Criamos um modelo de partnership e convidamos mais seis sócios para serem diretores, o que atraiu talento de verdade. Terminamos com nove sócios e 30 funcionários.
Dentro da VIS a gente conheceu o José Carlos, que entrou como conselheiro. Ele estava saindo da Santander Seguros, onde tinha sido CEO da corretora, e nos ajudou muito na parte estratégica e em como crescer a companhia. Foi isso que nos impulsionou. Saímos do zero para quase R$ 70 milhões de prêmios.
A partir de 2013 eu era CEO da VIS e da Otimize, a corretora digital do grupo, que já vendia automóvel, small business e produtos para shopping malls por canais próprios. Foram quase R$ 1,5 milhão de investimento.
Montamos uma boutique de seguros corporativos, e na época foi uma das primeiras do mercado, se não a primeira. Em dezembro de 2015, quatro anos depois de abrir, vendemos para a Lockton, uma das dez maiores do mundo.
Eu já tinha comprado corretora antes, mas nunca tinha vendido. Fazer o sell side de um M&A foi um aprendizado enorme de negociação.
Lockton e o canal do Santander Corporate
Entrei na Lockton em 2016 como diretor executivo de Digital e Varejo e membro do comitê executivo Brasil. Depois assumi a diretoria comercial de Commercial Lines, varejo, digital e affinity, e em seguida virei vice-presidente e producer.
Assumimos toda a área de Risk Services e fizemos uma reestruturação grande. A área cresceu muito.
No fim de 2018 passei a liderar o canal entre a Lockton e o Banco Santander Corporate. Plugamos o canal corporate do banco, mais de 4 mil clientes, na nossa estrutura de venda de seguro corporativo. Deu certo, e de novo eu saí do papel de executivo puro e virei sócio da operação.
Cofundar a EZZE Seguros
Em agosto de 2019 me chamaram para ser sócio cofundador de uma seguradora nova, a EZZE. Projeto ambicioso: a companhia fez R$ 1 bilhão de venda em quatro anos.
Eu liderei toda a área comercial do Brasil, do zero, e depois assumi também digital, assessorias, licitações e marketing.
Foi ali que eu comecei a enxergar duas coisas ao mesmo tempo. A dificuldade de crescer sem tecnologia, que a gente sentia na pele. E um espaço grande do lado das corretoras.
Como segurador eu sentava com presidentes de corretoras pequenas, médias e grandes. Principalmente com as pequenas. E eu sabia que tinha muita coisa para fazer com elas. O lado empreendedor mexeu comigo de novo.
WGA e a cadeira de CEO na Umma
Em janeiro de 2022 fundei a WGA, também do zero. Aceleramos várias corretoras que hoje estão crescendo forte e apoiamos algumas seguradoras na parte estratégica: proposta de valor, reposicionamento, marketing. Fiquei como CEO até meados de 2024 e depois continuei no conselho.
Um dos nossos clientes me convidou para assumir como CEO da corretora dele, a Umma Seguros, uma boutique de seguros, riscos e benefícios. Entrei como CEO e sócio da operação, passei a WGA para os meus sócios, que tocam a empresa até hoje, e reestruturei a corretora inteira. Saí de lá com quase 40% de crescimento.
O que me define
Conexão. Converso com muita gente, ajudo muita gente e sou ajudado por muita gente. Tenho muitos amigos dentro do mercado de seguros, e também clientes e fornecedores. Fazer conexão é o que eu faço melhor.
Sou especialista de seguros, riscos e benefícios em nível alto. Consigo falar 360 graus de qualquer produto e de qualquer tipo de empresa dentro do mercado.
A terceira é estratégia de negócio. Aprendi a pensar empresa, pensar solução, e também a parte de venda estratégica, que é entender o cliente do lado psicológico.
E eu sou um family guy. Gosto de estar com os meus filhos, com a minha esposa, com a minha família. Passar o fim de semana com eles e, apesar do trabalho pesado, manter alguma rotina durante a semana para estar perto deles.
Mentores
Três. O José Carlos, que foi meu conselheiro por vários anos e hoje virou meu sócio. O Henrique Camilo, que hoje é co-CEO de uma seguradora importante do mercado nacional. E o Guilherme Peronde, hoje CEO de uma grande seguradora global.
Fora do trabalho
Jogo tênis. Acho que o tênis me ensina a me adaptar a situação difícil, e isso eu levo para o trabalho. Fora que junta os amigos e faz bem para a saúde.
A segunda é assistir filme e série. Me traz tranquilidade mental.
E a terceira, que hoje ocupa boa parte do meu tempo, é trabalhar com IA. Não conversar, trabalhar. Full time, com Claude e com ChatGPT. Todo mundo digita no chat e recebe uma resposta média. A partir do momento em que você estrutura o contexto e o histórico, o resultado é outro. Estou gostando muito disso.
Por que virar tecnologia
Eu estava confortável. Ganhando bem, sócio da operação, fazendo o que eu já sabia fazer. Era só escalar.
Mas comecei a sentir que os problemas do mercado eram os mesmos de 15, 20 anos atrás. Seguradora operando de forma manual, corretora também. Não existia fornecedor que conhecesse seguro de verdade, do lado estratégico. Tentei várias iniciativas de IA que não deram certo exatamente por isso.
Daí veio a ideia de montar uma empresa de tecnologia e IA para seguros. Eu enxerguei um oceano azul dentro de um oceano vermelho.
E enxerguei uma coisa a mais. Estou há quase 30 anos no mercado. Conheço seguradora por dentro porque cofundei uma. Conheço corretora porque fundei e também trabalhei em pequena, média e grande. Eu conheço o mercado 360 graus. Entendi que eu precisava ajudar o mercado.
Fiz uma transição de seis meses dentro da corretora e saí no fim de 2025. Em dezembro negociamos para fazer parte de uma holding, a Avante, e conhecemos a Mahway. Ali eu vi o potencial de tecnologia e de IA bem feita, e que dava para implantar isso dentro do mercado de verdade.
Lançamos a WIR junto com a Avante e a Mahway. Eles são nossos investidores. A Mahway aporta capital intelectual global e a Avante aporta suporte estratégico e financeiro.
O que é a WIR, em uma frase
A WIR não vende tecnologia. Vende informação e uma plataforma.
Nossos clientes são seguradoras, corretoras, MGAs e resseguradoras que ainda fazem subscrição, atendimento e gestão em processo manual e não conseguem escalar. A gente transforma o business deles com inovação, velocidade e escala.
Existe uma dificuldade real de transformar processo digitalizado com custo-benefício que feche. E existe um receio grande das corretoras de automatizar atendimento de cliente. Com quase 30 anos de mercado, dá para identificar a dor e construir a solução que digitaliza o processo e escala o cliente, seja ele corretor, segurador, MGA, assessoria ou plataforma de distribuição.
Seguro é quase uma proteção para a economia do país. Quando vem uma catástrofe natural, o seguro cobre boa parte. No Brasil a penetração é baixa demais, e boa parte do prejuízo não está segurada.
Isso é um problema e é uma oportunidade do mesmo tamanho. Só que ela não se resolve com processo manual de 1990 rodando em 2026.
O que muda em cinco anos
Eu acredito que dá para dobrar o mercado. Potencializar a venda na distribuição, ajudar seguradora e resseguradora a criar produto novo e transformar o negócio. O mercado fica mais ágil.
O que eu enxergo daqui a cinco ou dez anos já é tecnicamente possível hoje, só não está implantado. Imagina que você viaja e o voo atrasa. Você tem seguro pelo cartão de crédito ou comprou seguro viagem. A informação do atraso é pública. A seguradora cruza o dado, vê que você é segurado e deposita na sua conta quando você desce do avião. Você não abre sinistro. Não passa por burocracia. Recebe a indenização para fazer uma refeição enquanto espera.
Tem gente tentando fazer isso. O ganho não está só no sinistro, está em conseguir acessar a pessoa ou a empresa de forma assertiva, na hora exata em que ela precisa, e oferecer o seguro dentro da jornada dela.
Com data analytics e com o que a IA está trazendo, e com seguradoras e corretores se preparando, vai ter uma disrupção grande.
O que eu quero deixar
Um sonho meu, e nosso, é fazer a transformação digital nas áreas de negócio das seguradoras. Não só na operação.
Hoje já existe transformação digital na parte operacional, em sinistro, nesse tipo de coisa. Na área de negócio, quase não. É ali que a seguradora melhora resultado financeiro, escala a operação, atende melhor o corretor, e o corretor atende melhor o cliente dele.
Isso é disruptivo porque possibilita a criação de seguradoras novas. Gera emprego, gera cargo novo para fazer a transformação, gera negócio para o mercado inteiro.
Do lado da distribuição eu vejo projeto especial de MGA, geração e digestão de lead, automação de negócio. Dá para transformar corretor, criar corretor e distribuidor novo, e trazer produto que hoje, sem tecnologia, não existe. Tudo isso tira do executivo o trabalho burocrático e devolve o tempo dele para tarefa que gera resultado.
A WIR pode liderar essa transformação. Ou vamos ser líderes, ou vamos ser um dos líderes que puxa isso no mercado.
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Perguntas frequentes
Quem é Nicholas Weiser?
Nicholas Weiser é CEO e co-fundador da WIR Innovation, plataforma de IA para o mercado segurador. Começou a trabalhar aos 15 anos numa agência dos Correios e entrou no mercado de seguros em 1999, na Aon. Passou por Gallagher, foi sócio da JLT no Brasil, fundou a corretora VIS e a vendeu para a Lockton, cofundou a EZZE Seguros e fundou a consultoria WGA. São 27 anos de mercado.
Que empresas Nicholas Weiser fundou?
Fundou a VIS, corretora criada do zero em janeiro de 2012 com mais três sócios e vendida à Lockton em dezembro de 2015, junto com a corretora digital Otimize. Foi sócio cofundador da seguradora EZZE a partir de agosto de 2019. Fundou a WGA em janeiro de 2022, consultoria de aceleração de corretoras e seguradoras. E é co-fundador e CEO da WIR Innovation.
O que é a WIR Innovation, segundo seu CEO?
Segundo Nicholas Weiser, a WIR não vende tecnologia, vende informação e uma plataforma. Atende seguradoras, corretoras, MGAs e resseguradoras que ainda operam subscrição, atendimento e gestão em processos manuais, e transforma essa operação com inovação, velocidade e escala.
Por que Nicholas Weiser saiu do mercado de corretagem para fundar uma empresa de tecnologia?
Depois de quase 30 anos no setor, ele identificou que os problemas do mercado eram os mesmos de 15 ou 20 anos antes: seguradoras e corretoras operando de forma manual. Tentou iniciativas de IA que não funcionaram por falta de fornecedores que entendessem seguro. Concluiu que quem conhecesse o mercado por dentro teria que construir a tecnologia, e fundou a WIR com a Avante e a Mahway.